31.10.05

Uma Nova Cicatriz.

A chuva caia torrencial, e eu estava novamente contra minha vontade ( ou a favor dela) em um beco escuro. Uma parede de tijolos amarelos servia como apoio para as minhas costas, elas doíam. A madrugada já havia tomado conta do tempo, e no céu nem uma estrela velaria a morte de ninguém. Seria um fim trágico, morrer sem uma luz, uma estrela, uma vela, um cigarro eu poderia acender para quem quer que morre-se essa noite...sim isso eu poderia fazer.
Pego no meu velho jeans meu maço de cigarros, minhas mangas compridas estão dobradas. Negras. Posso ver meu ante braço coberto de cicatrizes, cicatrizes vermelhas, bem fundas, feitas com uma faca, bem afiada.
Quem as fez? Talvez eu mesmo ( ou não?) com a faca que carrego em minha cintura, uma faca como já falei bem afiada, suja de sangue, talvez o meu próprio sangue, mais não posso garantir isso. Meu corpo inteiro é coberto por elas, 67, 68 já não sei mais quantas, perdi a conta. A chuva dessa noite bate nelas. Com violência. E no frio eu sinto os cortes novamente. Todos eles. Como se os ferimentos ainda tivessem abertos, e isso me satisfaz, não posso esperar para sentir o prazer de encontrar um novo espaço em meu corpo, esperando a lamina gelada o preencher, sou louco?! E quem não é, pessoas se matam o dia inteiro, vivemos em uma sociedade capitalista, onde a regra é competir com os outros, para beneficio próprio. Não eu não sou comunista, nem nazista, na verdade não sei direito o que sou ( ou sei?!) mas isso pouco me importa, estou na chuva ainda.
Meu cigarro molhado queima rápido, a fumaça solta pela minha boca sobe o céu. Até que uma garota vira a esquina, abaixo a cabeça. Sou muito tímido. Ela passa reto. Rápido. Com medo de mim. Como se eu pudesse fazer algo contra ela, ela sim poderia me matar, ela sim poderia acabar comigo, ela sim....poderia me matar. Olho para as estrelas, tão bonitas, elas iriam velar a morte de alguém, a minha morte? Não, não...mas poderiam se eu não fosse rápido. Tiro a faca da cintura, e correndo enfio nas costas da garota. Loira. Agora ela não poderia me matar. Agora com seus belos cabelos loiros, manchados com o sangue dela (ou meu?) ela não poderia me matar...
E nem deu tempo da coitada gritar.
Olho mais uma vez para as estrelas, e sento no chão. A chuva ainda cai. Tiro minha camiseta molhada, negra, e procuro um espaço em minha pela tão judiada, ali no peito, próximo ao coração. Com a faca ainda suja com o sangue da bela garota corto meu peito com força, um corte profundo. E ali ficara a marca dela para sempre. Para sempre me lembrarei dela. Como a marca em meu peito.
Levanto e vou para casa, amanha é um novo dia, uma nova cicatriz, uma nova lembrança.

Até lá...



Yan Troisi

1 comment:

Anonymous said...

caralhooooooooooooo muito muito mutio iradooooooooooooo.......



loco loco loco


falow yan até mais (ou não) aahhahaha

sempre que atualiza me da um toque

abraço!!!!!