Estavam todos felizes, rindo, brincando...até se esqueceram da presença dele, também tão pequeno em uma casa tão grande , Davi com seus dez anos, se afastara da felicidade, não porque assim queria, mas para ele aquilo não tinha nada a ver com felicidade. Ele não suportava os ´´outros`` e ao menor contato com eles, ele se retirava. Seus pais sabiam dessa falta de convívio social do filho, mas nada podiam fazer, já que mesmo ele, se recusava a freqüentar um psicólogo.
Moravam dês de que ele nascera em uma grande mansão, com um enorme bosque raramente freqüentado por alguém, com lagos e arvores enormes e verdes. Davi conhecia muito bem todo aquele lugar, e lá ele sentia-se vivo e feliz, isolado e longe de tudo o que não suportava, pelo simples fato se não suportar.
A festa com a família inteira estava boa, e ele sairá sorrateiramente para o bosque, mas mesmo tendo passado a vida toda naquele lugar, ao andar triste sob o morno sol do verão, ele avistou no meio da mata, uma coisa que nunca tinha visto antes. Talvez ele mesmo nunca tive-se ido lá antes, mas avistou um garoto. Um garoto da mesma idade que ele (aparentemente) caído na mata, com o corpo coberto por mato e vestido de branco. Davi, que nunca avia sentido medo na vida, se aproximou e percebeu que o garoto dormia, ele estava com a pele branca, e grandes olheiras no rosto sujo.
´´ola amigo?! O que esta fazendo ai deitado?`` Davi perguntou, mais não obteve resposta, intrigado sentou ao lado dele, e parado lá a um tempo levantou-se e foi para casa.
Ao acordar na manha seguinte, depois de se alimentar da horrível comida da governanta, que seus pais muito ocupados deixavam cuidando dele, ele saiu para uma nova vista ao estranho garoto, pois não conseguia dormir pensando nele.
Chegou cedo, e sentou em um galho ao lado do garoto, que estava na mesma posição do dia anterior.
´´você esta sempre aqui? Não tem que ir pra escola com aqueles colegas idiotas? Nem suportar ninguém?`` mas o garoto mais uma vez permanecia calado, sem se mover, e intrigado Davi falou ´´ bem, se não quiser me responder tudo bem! Mais não pode me impedir de ficar aqui, na propriedade dos meus país!`` e lá ficou sentado por muito tempo, observando a leve brisa bater nas folhas, os pássaros sobrevoando as nuvens, e o garoto deitado, deitado de branco ficava lá, com os grandes olhos negros abertos e imóveis, as vezes Davi olhava para eles, e numa dessas olhadas falou ´´ sabe você até que tem sorte, não sabe o que é ninguém ligar pra você, não sabe o que é não poder fazer o que se quer, não sabe o que não é ter amor de quem se quer ser amado.`` e assim começou a contar tudo sobre sua vida para o garoto, todas suas amarguras, todos seus pesadelos, todos os seus sonhos, assim ele ficou, percebeu que o garoto o ouvia, e não reclamava de suas queixas como todos as pessoas faziam.
Mais estava tarde, a noite começava a vencer os raios de sol, e Davi avisando que precisava ir levantou-se e partiu.
Mas um som quebrou o silencio. Um som perfurou o ar. E assim que chegou a Davi, fez com que seus olhos se arregalassem.
´´fique mais um pouco!``
Era a voz do garoto no chão, alta e clara, ao se virar, ele percebeu que o garoto ainda permanecia na mesma posição, mas no meio da noite Davi se sentou ao lado dele, e ambos, ficaram conversando a noite inteira.
Dia após dia, Davi fugia dos seus deveres, e passava cada vez mais tempo com seu novo amigo. Rodolfo, esse era o nome dele, ele mesmo havia dito isso,e mais um monte de coisas em comum que ambos compartilhavam, toda manha conversavam por horas e horas, chegavam a rir juntos, de historias que ambos contavam um para o outro, e cada um, mais e mais, admirava a companhia do outro, como verdadeiros amigos.
Certa manha ao acordar, Davi percebeu uma agitação na casa, algo que não era comum, em uma grande mansão onde os empregados são demitidos pelo simples fato de falarem. Ao descer as escadas rapidamente, ainda de pijama, Davi perguntou a governanta na cozinha ´´ o que esta havendo?``
´´ o jardineiro encontrou um corpo nas proximidades, parece que está ali a anos, já o levaram para o crematória aqui atrais``
Um frio subiu por toda a espinha de Davi. Ele não sábio por que achavam que Rodolfo estava morto, mais sabia que falavam dele. Instantaneamente Davi correu para o crematório, na rua de traz. Com sua bicicleta, pedalou o mais rápido que conseguia, não poderia suportar a idéia de perder o único amigo de quem realmente gostava, só conseguia lembrar-se das horas e horas que passaram conversando, do sol batendo no jovem corpo de ambos, dos risos e coisas que aprendera com aquele amigo tão querido.
Rapidamente Davi jogou sua bicicleta ao chão e entrou correndo pelas portas de vidro do grande prédio onde corpos ficavam enterrados em gavetas, e cadáveres eram queimados em fornalhas, ele só conseguia pensar em sua indignação, aquilo não poderia estar acontecendo com Rodolfo, não com Rodolfo, uma pessoa tão boazinha, amável. Passando despercebido pela recepcionista, Davi subiu andar por andar procurando desesperadamente pelas placas, indicando onde a cremação era efetuada, e subindo e subindo, encontrou a sala, com portas duplas. Davi entrou rapidamente nela, e abaixado, para que os funcionários não o avistassem, colocou a cabeça na grande fornalha, e apesar de todo calor, ardendo em seus olhos, lá permaneceu por segundos, até perceber que aquele não era Rodolfo, e sim, um homem velho, gordo, morto.
Rapidamente ele correu para a próxima sala, seu tempo estava acabando, Rodolfo agora podia ser um amontoado se cinzas, e ele ficaria sozinho novamente. Sozinho por todo o sempre.
Passando pela segunda fornalha, com a cabeça para dentro novamente, ele viu Rodolfo, mesmo sem as roupas brancas, ele consegui reconhecer a pele do amigo. Querido amigo. Seu belo rosto jovem, agora com os olhos fechados. Sem pensar duas vezes Davi se jogou dentro da fornalha, e, deitou em cima do amigo, abraçando-o, e sabendo que, nada nem ninguém poderia tira-lo de lá.
O fogo, começava a tomar conta de seus corpos, e Davi se agarrava ao corpo do amigo ainda deitado, o segurando com forças. ´´você veio?!!``
Rodolfo perguntou lisonjeado. ´´ mas é claro, ficaremos sempre juntos!``
Davi respondeu, com um leve sorriso nos lábios, enquanto o fogo os tomava, ambos conversavam e lembravam do sol morno, de quando se conheceram, das horas e horas que passaram conversando, da brisa batendo no jovem corpo de ambos, dos risos e coisas que aprendera com aquele amigo tão querido.
Até que o fogo os consumiu...
Estarão sempre juntos, em cinzas, sobre o morno sol do verão.
Yan Troisi
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3 comments:
tu é tao lindo e tao inteligente
muitooo legal ai veii
continue escrevendo =)
caralhooo muito sarna a historia!!! o muleke ja tinha virado presunto...faz tempo mas só o muleke num percebia
iradooo brilhante!
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