Deitados ambos na cama, o lençol do motel vermelho, á mesma cor do coração que bate acelerado no peito dos dois...á mesma cor do sangue depositado dentro das veias de ambos. Um sangue contaminado pólo êxtase do amor, e pela amargura do ódio...que ainda virá.
Com os olhos azuis, ele olha para o espelho do teto, e vê a pele dela, branca, como a neve. Nua. Mais ele não pode ver por dentro dela, (o sangue dela) uma pena!
Pulmões negros, um coração apaixonado, um cérebro entorpecido. Um poema escrito para ela, na manha da descoberta!
Um poema de amor.
Ela não conseguia parar de pensar nos braços dele, segurando-a, fazendo-a sentir-se segura em um mundo explodindo em podridão e doenças (doenças).
Ele ainda se lembra quando se conheceram, no parque. Amigos em comum. Ela ainda se lembra do primeiro beijo, apaixonante, o sonho de se entregar a um amor mutuo seria realizado (se não fosse algo mais!) e eles poderiam desfrutar desse amor pelo resto de suas miseráveis vidas apaixonadas. Ele ainda se lembra quando descobriu, na casa dela, depois de um teste. Ela ainda se lembra do primeiro soco. Violento. O sonho de se entregar a um amor mutuo, pelo resto de suas curtas e odiosas vidas havia desmoronado.
Sexo. A chuva lá fora, bate na janela, os lábios de um tocavam o outro. Não importa o passado dela. As burradas. Nada iria atrapalhar esse momento, um momento mágico. Único. Decorado pelo quarto do motel, o amor nasceu em uma alma que, não mais acreditava nele...mais rápido assim como ele nasceu, ele ira morrer.
As lagrimas inconformadas correm pelo rosto dele, nada mais pode ser feito, e um erro, ditou uma vida, e mais uma vez, um juiz imponente, cego como a justiça, bate o martelo do destino e varre uma alma repleta de sonhos, para um inferno.
Ela esta na cama. Olho roxo. Ele deixa escapar de sua mãe um papel. O roteiro para os próximos anos de vida. Ela esta na cama com lençóis azuis. Lagrimas e sangue. Ele sai pela porta, e por essa porta ele nunca mais retornará. Ela nada pode fazer, só se abraçar á dor, e tentar vencer alem do amor perdido, a dor de saber que mudou o futuro da pessoa que mais amava. E ele com as palavras escritas no papel que escapara de sua mão mais cedo, ainda na cabeça, vaga pela rua, sem destino. Esperando, a AIDS o tomar.
Yan Troisi
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